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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Agricultores que perderam safra esperam seguro

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Passadas as chuvas, os agricultores agora contabilizam os prejuízos e aguardam o repasse do Seguro Safra

Tivesse o inverno sido “bom” — nem oito nem 80 — os agricultores cearenses estariam neste exato período iniciando a grande colheita do milho e finalizando a de feijão. As mandiocas já iriam para as casas de farinha, e os mercados livres estariam sortidos, e a mesa do agricultor estaria, possivelmente, farta. Mas o prejuízo causado pelas enchentes neste ano dividiu os agricultores em quem teve ou não teve sorte, a depender da quantidade de água em suas terras. No Vale do Jaguaribe e na zona norte, regiões mais atingidas, quem ficou no prejuízo faz o que pode para não passar fome e aguarda ansiosamente o Seguro Safra, que ainda não tem data certa para ser pago. Esse é só mais um dilema dos produtores da safra perdida. Segundo a Ematerce, a estimativa do Ceará, que até maio era de colher 1.048.235 toneladas de grãos, reduziu para 980.833 toneladas, um valor 30,4% menor do que o esperado no início do ano, de antes das enxurradas.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), ainda não há previsão para o pagamento do Seguro Safra. O motivo é que a Ematerce tem que finalizar os laudos das perdas deste ano e enviar o documento para Brasília. A previsão é que os laudos sejam concluídos até o fim do mês de julho.

Quando o agricultor Antônio de Fátima esmagou umas sementes de milho no dente e viu que não se “esfarelou” teve a certeza de que não estava bom. É quando o milho “gruda” no dente sem esfarelar, e vem a conclusão de que o plantio está perdido e a esperança, mesmo durante as cheias, tem um fim. O que pode ser aproveitado, uma menor porcentagem, serve de alento que o trabalho não foi em vão - há sempre a exceção na falta ou na fartura. Seu Antônio perdeu aproximadamente 55% da produção de milho às margens da CE-377, no bairro Boa Fé, em Limoeiro do Norte.

Quem já vive da agricultura de sequeiro e tem prejuízo no que deveria ser o melhor período do ano só lamenta. “Aí ficou pior”. A saída, nesses casos, é vender algumas galinhas, alguma criação de corte, fazer um serviço de servente de pedreiro aqui e acolá, trabalhar na colheita e na venda dos agricultores que não foram tão castigados pelas águas e, por fim, aguardar que o Governo Federal dê o aval para o repasse das seis parcelas do seguro safra. Os agricultores cearenses não estão com as mãos na cabeça porque com elas para cima ninguém trabalha. Este é outro capítulo das enchentes no Ceará.

O solo cearense é arenoso, e por isso as perdas agrícolas com as chuvas são mais significantes. Seu Antônio é um dos 1.752 agricultores de Limoeiro cadastrados para receber o Seguro Safra, um recurso financeiro que tem a participação dos governos municipal, estadual e federal, além da contribuição do próprio beneficiado, que deve ter pago, até janeiro último, o boleto bancário que o coloca automaticamente no grupo de assegurados. Mas daí a ver a cor do dinheiro é preciso, além das contribuições dos órgãos, que seja averiguado o nível de perdas a que chegou cada município. O relatório da Secretaria Municipal de Agricultura, enviado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, apontou prejuízo médio de 60% das lavouras de sequeiro por causa das chuvas. O Governo do Estado, via Ematerce, realiza o laudo por amostragem das perdas. A sede regional em Limoeiro avalia aleatoriamente (conforme solicita o Governo Federal) 40 plantios para laudo por amostragem, para refutar, ou não, a informação municipal. Mas, até ontem, apenas 20 laudos tinham sido efetivados. Segundo o gerente local da Ematerce, Oliveira de Almeida, seriam necessários dez agentes para fazer o trabalho, mas o escritório só tem três agentes.

Esse é um dos principais passos para a entrega do seguro, que aumentou para R$ 600,00, sendo quatro parcelas de R$ 150,00. Mas no meio disso vários produtores tiveram 100% de perda, assim como José Amorim, de Quixeré. A espiga de milho não chegou à metade do tamanho que deveria. Agora a esperança é conseguir trabalho temporário nas fazendas fruticultoras da Chapada do Apodi, onde a agricultura é irrigada – e também registrou prejuízo, ainda que menor e de forma mais sustentável do que na realidade dos agricultores de sequeiro.

RELATÓRIO AGRÍCOLA Colheita será 9,5% menor que 2008

As 980.833 toneladas previstas, atualmente, para serem colhidas já é 9,5% menor do que a safra de grãos colhida em 2008. O quadro é pior quanto mais amplos são os levantamentos de perdas. Os dados constam do Relatório da Situação da Safra Agrícola, produzido pela Ematerce com levantamentos de até 15 de junho.

Quando somadas as perdas de grãos com as de mandioca (que ainda deve ser colhida mais do que em 2008) a safra de sequeiro apresenta um déficit, comparado às previsões de janeiro, de 23,5%. As avaliações de perdas não são conclusivas, pois apenas a cultura do feijão está com a safra definida. As demais, milho, mamona, arroz, algodão, sorgo e amendoim terão suas safras definidas até julho, enquanto que a mandioca só dará um resultado definitivo a partir de agosto.

A cultura do feijão foi a que mais fortemente sofreu os efeitos do excesso de chuvas, atingindo até este período 43,8% de perdas. O milho tem perdas registradas, até o momento, em 27,9% da produção esperada inicialmente. Esses dois números são importantes porque feijão e milho têm as maiores participações relativas na produção cearense: 42,63% e 52,81%, respectivamente.

Também houve uma queda no rendimento da colheita por hectare. A previsão atual é de 721 quilogramas por hectare, contra 809kg colhidos em 2008. Mais uma vez o feijão apresenta o menor rendimento, com 32% a menos de produtividade por hectare colhido em 2008. Nos próximos dias, outro relatório da safra agrícola deverá ser divulgado, mas a divulgação mais aguardada é a da liberação do seguro safra. O Ceará tem 161 municípios credenciados no Seguro Safra.

Mais informações: Ematerce (85) 3217.7872 Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) (85) 3101.8158 Melquíades Júnior Colaborador

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Melquíades Júnior

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

“Ondas do Leste” provocam chuvas

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Voltou a chover na Interior do Estado, principalmente na região litorânea, zona norte e na região jaguaribana. Apesar de “fracas”, se comparada aos meses anteriores, as águas que chegam já pegam um lençol freático encharcado. O maior registro de chuvas foi de 91mm em Trairi, no Litoral do Pecém. Em Jaguaruana, no Vale do Jaguaribe, castigado pelas enchentes, choveu 37mm. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as chuvas que caíram nos últimos três dias são resultado da atuação de um sistema conhecido como Ondas de Leste.

Choveu em 102 municípios do Estado, em comum a precipitação à noite e durante a madrugada. “Este é o sistema responsável pelo período chuvoso nos Estados do leste da Região Nordeste, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Quando atua com muita intensidade, o sistema traz chuvas para o Ceará, principalmente nas regiões onde tem chovido”, informou o meteorologista Paulo Barbieri. É incomum as Ondas de Leste trazerem precipitações com grande intensidade, como tem sido observado nos últimos dias. Até meados de julho, enquanto este sistema deverá atuar, o normal será ocorrer chuvas de menor intensidade, pela madrugada e também no período da manhã.
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Recorde de reserva demanda novos açudes

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Com o acumulado de água considerado recorde em 15 anos, o Ceará precisa de mais açudes para a próxima estação

Os reservatórios do Ceará entram na reta final do acúmulo recorde de água, e passados quatro meses do início da quadra chuvosa, o Estado desce da casa dos 95% da capacidade de reserva, um recorde em 15 anos de monitoramento da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). A previsão é de que o Castanhão continue com quatro de suas comportas abertas por mais duas semanas. O Ceará está garantido de água por cerca de três anos de seca, mas, e os anos de cheia?


Mais 11 açudes serão construídos até o ano que vem, porque se em quatro meses de chuvas o acumulado subiu de 68% para 95%, o risco de colapso no abastecimento — em caso de inverno igualmente rigoroso no próximo ano — é maior. Na primeira quinzena de fevereiro, quando teve início a estação de chuvas, os 130 açudes monitorados pela Cogerh registravam 68,3% de acúmulo da capacidade. O Açude Trapiá III, em Coreaú, foi o primeiro a sangrar. Com 5,5 milhões de metros cúbicos, é um dos menores monitorados no Estado. Em 2009 houve sangria de pelo menos 117 açudes, dos quais 108 sangravam até ontem.

A Cogerh monitora 130 açudes no Ceará, mas existe um número maior de pequenos reservatórios, muitos em propriedades particulares, que não sofrem monitoramento, nem mesmo a fiscalização necessária desde a sua construção. Estes foram, em parte, responsáveis por casos de inundação em regiões habitadas próximas dos rios. Foi o caso de Morada Nova, onde 21 pequenos açudes arrombaram, aumentando a cheia na calha do Rio Banabuiú, provocando a cheia repentina no lugar. Em Iracema, também foi o arrombamento de um pequeno açude que levou água para parte da cidade, que em poucas horas atingiu 1,80 metros de inundação.

O Açude Castanhão, o maior do Estado, continua com quatro de suas comportas abertas, liberando ao todo 400 metros cúbicos de água por segundo (na cota 104,76 metros). Bem menos do que recebe do Rio Salgado, a montante – cerca de 150 metros cúbicos/segundo. O Castanhão atingiu seu recorde em 2009 na cota 105,65, e o percentual de 97,8% — em 2008 o seu volume durante as chuvas chegou a 84,5%. A cheia do açude fez o Dnocs liberar até mil metros cúbicos (ou um milhão de litros) por segundo para a calha do Rio Jaguaribe, que já estava muito cheio pelas mesmas chuvas e inundando parte das cidades de Limoeiro, Jaguaruana e Itaiçaba, pelos seus afluentes.

Conforme o engenheiro do Dnocs, Ulisses de Sousa, coordenador do Complexo Castanhão, as quatro comportas devem continuar abertas até que se reduza à cota 104 metros acima do nível do mar, o que deve acontecer nos próximos 15 dias. Ainda assim, o açude estará com mais de 90% da capacidade. Porém, a previsão do Dnocs é de que, mesmo fechado, o açude perca bilhões de litros de água por evaporação e desça para a cota 101 metros até o mês de janeiro de 2010.

Segundo Francisco Teixeira, diretor da Cogerh, o volume acumulado dá uma maior segurança ao Estado para os próximos anos que venham a ser de seca. O problema é se vier tanta água em 2010 quanto ocorreu neste ano. Em quatro meses, o aumento de 68% para 95% de água acumulada (de um total de 17,8 bilhões de metros cúbicos), somada às cheias dos maiores rios, já inundando as cidades, deixou preocupado o Governo do Estado. Foram 117 sangrando, dos 130 monitorados. Para se ter uma melhor idéia do aumento, basta saber que em 2006 houve sangria de 30 açudes monitorados. O período chuvoso de 2004 encerrou com reserva de 85,6%; 2005 com 71%; 2006 com 70,5%; 2007 com 62%; e 2008 com 85,8%.

Mas outros 11 açudes — três pelo Dnocs e oito pelo Governo do Estado — serão construídos até 2010, representando mais 1,57 bilhão de metros cúbicos de capacidade, aumentando em 8,8% o percentual de armazenamento. O mais aguardado é o Açude Figueiredo, localizado na região jaguaribana, com capacidade de 520 milhões de metros cúbicos.

Mais informações:
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) - Fortaleza - (88) 3218.7020

Melquíades Júnior
Colaborador


Texto: Diário do Nordeste
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terça-feira, 9 de junho de 2009

Sebrae lança pacote para ajudar micro e pequenas empresas prejudicadas pelas chuvas no Ceará

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O recurso beneficiará 825 empreendimentos de pequeno porte em 40 municípios cearenses.

Sebrae lança pacote para ajudar na recuperação das micro e pequenas empresas prejudicadas pelas chuvas, São Gonçalo do Amarante está entre os municípios beneficiados

As micro e pequenas empresas do Ceará que foram prejudicadas pelas enchentes receberão o investimento total de R$ 700 mil do Serviço de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário (Sebrae), para a recuperação dos negócios. O pacote foi lançado nesta quinta-feira (4), em Itaiçaba (CE), pelo presidente do Sebrae Nacional, Paulo Okamoto, e pelo diretor técnico da instituição, Luis Carlos Barbosa.

O recurso beneficiará 825 empreendimentos de pequeno porte em 40 municípios, com ações que começarão pelo mapeamento da situação dos empreendedores atingidos e que têm, como foco estratégico, o acesso ao crédito, capacitação gerencial e políticas públicas para a renegociação das dívidas.

Segundo Okamoto, a meta do Sebrae é que, até o final do projeto, previsto para primeiro de dezembro deste ano, todas as empresas beneficiadas recebam consultorias gerenciais e tecnológicas e soluções de crédito, inclusive junto a fornecedores; que pelo menos 10% delas consigam renegociar pagamentos e dívidas e que 60% retornem às suas atividades normais.

O investimento beneficiará os municípios de Acaraú, Bela Cruz, Chaval, Canindé, Cariré, Caridade, Coreaú, Crateús, Granja, Ibaretama, Ibicuitinga, Icapuí, Iracema, Iraçuba, Itaiçaba, Itapajé, Itapiúna, Itarema, Jaguaruana,
Limoeiro do Norte, Marco, Massapê, Meruoca, Morada Nova, Moraújo, Morrinhos, Pacoti, Pacujá, Palmácia, Pentecoste, Quixeramobim, Reriutaba, Russas, São Gonçalo do Amarante, Santana do Acaraú, Sobral, Tianguá, Uruoca, Varjota e Viçosa do Ceará.

São parceiros do Sebrae neste projeto o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Prefeituras municipais, Secretaria Estadual da Fazenda, Fecomércio, Fiec, Faec, ACC, IEL, SENAR, FECEMPE, FACIC e Associações Comerciais e Sindicatos Patronais dos municípios atendidos.


Karlos Emanuel Soares
Portal Investe NE

Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante

Texto: AVOL
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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Chuvas voltam ao Interior do Ceará

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Em Jaguaruana choveu 65,6 mm. Em Itaiçaba 54mm. A Defesa Civil pede para as famílias continuarem nos abrigos

Limoeiro do Norte. As chuvas voltaram a banhar praticamente a maior parte da costa litorânea – até 150km sertão a dentro – do Ceará. As nuvens vindas do Oceano Atlântico se condensaram em vários municípios, provocando precipitações acima de 50mm em mais de 20 cidades. A chuva mais forte foi registrada em Itapipoca, com 108,3mm, na zona norte, a mais castigada pelas enchentes do período. A chuva também voltou a preocupar a população de Jaguaruana e Itaiçaba, no Vale do Jaguaribe, apesar de os rios terem recuado mais de 80cm, voltaram a subir em torno de 50cm. O sol dos últimos dias deu fôlego para as cidades receberem as águas de ontem.

Desde o início da semana, as massas de ar que se formam no Oceano Atlântico chegaram ao litoral do Ceará, atingiram 17 dos 21 municípios com faixa litorânea e avançaram em direção ao Sertão. Também choveu em Bela Cruz (108mm), Amontada (101mm), São Luís do Curu (90mm), Camocim (90mm), Aracati (84,6mm). Neste último, a população está preocupada quanto à segurança da cidade frente às cheias do rio Jaguaribe. Um dique de proteção sofre desgaste.

Texto: Diário do Nordeste


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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Castanhão "perde" o equivalente a 21 açudes

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O Açude Castanhão registra, diariamente, redução de seu volume de água. A diminuição, porém, é variável

Limoeiro do Norte. Com as chuvas intensas já registradas no Estado, pode-se dizer que o sertão virou mar faz tempo. Porém, um mar em controlado recuo. Agora, com a diminuição das chuvas, o Castanhão está reduzindo o seu volume hídrico. A água que perdeu somente de terça para quarta-feira — cerca de 50 bilhões de litros — é equivalente a uma média de 21 açudes de pequeno porte dos 130 monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). Mas a soma não chega a 1% de toda a água do reservatório, que guarda recurso suficiente para, pelo menos, mais cinco anos.

Desde que as chuvas deram trégua na região da bacia do Salgado, no Centro-Sul do Estado, o açude Castanhão perde volume e deixa de acumular recordes, conforme noticiado ontem pelo Diário do Nordeste. Mas a quantidade de água que tem perdido, ou liberado para a calha do Jaguaribe, de apenas sete centímetros da manhã de terça até o mesmo horário na quarta-feira, é enorme e, ao mesmo tempo, considerada insignificante diante da quantidade de água ainda armazenada e da necessidade de um “pulmão de segurança”, para o caso de fortes chuvas surpresas neste período chuvoso, que ainda está só na metade.

A quantidade de água perdida pelo Castanhão soma 50 bilhões de litros, ou 21 açudes

Se reunir os açudes Bonito, em Ipú, Jatobá, em Milhã, e outros 19 reservatórios monitorados pela Cogerh no Ceará com capacidade entre 800 mil e seis milhões de metros cúbicos de armazenamento, chega-se ao equivalente a 50 milhões de metros cúbicos de água (ou 50 bilhões de litros) liberados a cada dia pelo Castanhão desde que deixou de quebrar recordes de armazenamento, segunda-feira passada. Ele reduziu da cota 105,55 metros acima do nível do mar para 105,48 metros (ao meio dia de ontem), e a redução de 6,53 para 6,49 bilhões equivale a apenas 0,7% da capacidade de armazenamento, de 6,70 bilhões de metros cúbicos — um dia antes havia reduzido em 0,3%. O reservatório ainda acumulava 96,9% no início da tarde de ontem. Dos 130 açudes monitorados pela Cogerh, 26 têm entre 800 mil e 6 milhões de metros cúbicos de capacidade.

De acordo com Francisco Almeida Chaves, gerente da Cogerh em Limoeiro do Norte, os sete centímetros de nível reduzido em 24 horas representam muito mais água do que se fosse o mesmo desnível em períodos com menor reserva, “pois como está muito cheio, é bem maior o espelho d’água do que se estivesse somente na calha do açude”, explica. Com isso a redução do volume de água também deve variar de um dia para o outro. “Vai depender da quantidade de chuvas nas bacias que mandam água para o açude, da presença do sol cobrindo o espelho d’água e da abertura das comportas”, acrescenta. Ontem de manhã, o Castanhão continuava liberando 800 metros cúbicos de água por segundo para o rio Jaguaribe, e recebia do Salgado pouco mais de 500 metros cúbicos, o que influencia em sua redução. Almeida esclarece que, com o volume atual, o maior açude do Ceará tem água suficiente para abastecimento em cinco anos de seca, ou seja, a situação é de segurança.

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Melquíades Júnior
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Surgimento do sol anima moradores

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Dias melhores nas zonas castigadas por tanta água. O nível dos rios baixou ainda mais, as águas continuam saindo das casas, o céu registra menor formação de nuvens e o sol volta a surgir forte. Enquanto as donas de casa aproveitam para estender a roupa no varal para secar, as prefeituras elaboram plano estratégico para a retirada das famílias, o que só deve acontecer no fim do mês. As secretarias municipais formarão equipes de força-tarefa para vistoria em todas as casas, limpeza de centenas de fossas estouradas e eliminação do foco das doenças. Uma solução para as casas destruídas ou bastante danificadas ainda é um céu nublado no horizonte.

O céu ontem amanheceu com poucas nuvens na região jaguaribana. E depois de semanas de frieza, chuva ou simplesmente o céu nublado, as cidades começam a reaparecer. Nas zonas que estavam mais alagadas, uma fila de fossas “estouradas”, transbordando, aumentando a fedentina. Quem não precisou sair de casa, nas áreas mais altas de Limoeiro do Norte, Itaiçaba e Jaguaruana, aproveita os dias de sol para secar a roupa e até os móveis, que já contraíram fungos devido a frieza e a umidade. Na casa de Jacinta Mendes, no bairro Luiz Alves de Freitas, não houve desabrigados, “mas era tudo frio em casa, a roupa não secava direito e ficava com aquele mal cheirinho, né?”. Até o sofá “tomou um solzinho”.

Os servidores da Secretaria de Saúde de Limoeiro já realizam a primeira força-tarefa para o período pós-cheias, que ainda está por chegar: a vistoria sanitária de todas as residências. Já acontece nos bairros Ilha de Santa Terezinha e Setor NH4. Serão de lá as primeiras comunidades de retorno das famílias desabrigadas. “Mas isso só deve acontecer a partir do dia 22, quando teremos toda a estratégia traçada, de como está a situação da comunidade e das famílias”, disse capitão Osmar Nogueira de Oliveira, coordenador municipal da Defesa Civil. As famílias só receberam permissão para sair após uma faxina, literalmente, nas ruas da comunidade.

“É como dizer que a situação mesmo vai piorar agora, porque o perigo estava até socorrer as famílias, e quando houver o retorno é cuidar para evitar as doenças”, já prevê o prefeito de Itaiçaba, Frank Gomes. Lá, as águas começam a recuar das casas. Em Jaguaruana, as águas reduziram de segunda para terça-feira, pelo menos mais cinco centímetros. “Vamos nos reunir para, junto com a coordenação estadual, ver o que será feito a partir de agora, mas enquanto tem muita água no Castanhão e no Banabuiú não dá pra despreocupar”, diz Luís Lopes, coordenador municipal da Defesa Civil, sobre a reunião que acontecerá hoje com as equipes de socorro.

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Melquíades Júnior
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terça-feira, 19 de maio de 2009

Nível do Jaguaribe cai mas alerta permanece

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Famílias ainda não podem retornar às casas no Vale do Jaguaribe, mesmo com a redução do nível do rio Jaguaribe

Jaguaruana. Com a diminuição no volume de chuvas na região Jaguaribana e no Centro-Sul do Estado, o nível das águas tem baixado nas cidades ribeirinhas do Vale do Jaguaribe e saído de várias casas nos municípios de Limoeiro, Jaguaruana e Itaiçaba, que ainda têm a situação mais crítica de alagamentos. Mas a Defesa Civil orienta que as famílias devem continuar nos abrigos. Pela primeira vez, desde o início da estação chuvosa, o açude Castanhão registrou perda de volume de domingo para segunda-feira e deixou de acumular novos recordes de abastecimento.

O rio Jaguaribe está perdendo corpo e ganhando forma: menos uma imensa lagoa e mais um comprido de água. As águas continuam rolando, mas o nível baixou satisfatoriamente durante o fim de semana, tirando da inundação dezenas de casas nas áreas de influência não só do Jaguaribe, como dos rios Palhano e Banabuiú, e do riacho Araibú. Mas já que “seguro morreu de velho”, é preciso cautela redobrada: ninguém deve voltar para suas casas ainda. Primeiro porque as chuvas, apesar de terem diminuído, continuam insistindo em todo o Interior – ontem pela manhã o céu esteve nublado com pancada de chuvas em algumas cidades jaguaribanas; segundo porque o açude Castanhão continua liberando água para o Jaguaribe; e o terceiro forte motivo é a incerteza sobre a situação das casas, após dias de inundações.

Em Itaiçaba, o município mais atingido da região, houve diminuição das águas que invadiram as residências. Ontem pela manhã o nível era 70 centímetros menor do que nos dias mais críticos de cheia. “Mas não é muita coisa não”, afirmou o prefeito Frank Gomes. A zona urbana, que havia subido para 95% o índice de inundação, retornou aos 90% de área alagada ontem.

Em Jaguaruana, também no Baixo Jaguaribe, ontem pela manhã, o nível da água estava 74 centímetros menor, e muitas casas que estavam inundadas pelas águas já começam a ficar livres. “Mas, mesmo com menos chuvas, temos preocupação ainda com o Castanhão”, diz Luís Lopes, coordenador municipal da Defesa Civil.

Segundo a Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos, os rios que passam pela cidade influenciam mais com suas próprias águas (vindas das chuvas desde os afluentes) do que o valor que é liberado pelo açude.

Pela primeira vez, desde que teve início a quadra chuvosa do Ceará, o Castanhão sofreu pequena redução de acumulado, consequência da diminuição das chuvas nas bacias dos rios Salgado e Jaguaribe, na região montante da barragem. Ontem à tarde era registrada cota de 105,61 metros acima no nível do mar (ou 97,7% da capacidade) – a cota histórica esteve, semana passada, em 105,65 metros (97,8%). A diminuição de quatro centímetros, até ontem, deu-se pela menor vazão do rio Salgado, que ontem repassava 750 metros cúbicos por segundo de água para o reservatório, enquanto este continuava, por quatro comportas, a liberar 800 metros cúbicos para a calha do rio Jaguaribe.

“Acreditamos que a situação tende a ser agora de uma maior estabilidade, e não fique aumentando muito mais”, afirma o engenheiro do Dnocs, Ulisses de Sousa, coordenador do Complexo Castanhão e que, para manter o monitoramento, reside nas proximidades da parede do açude. O diretor da Cogerh, Francisco Teixeira, afirmou à reportagem que mesmo após o fim da quadra chuvosa no Ceará, algumas comportas devem continuar abertas, “mesmo que liberando um mínimo”, para garantir o equilíbrio para o período chuvoso do ano que vem.

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Melquíades Júnior
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Começa repasse de verba contra enchentes

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Limoeiro do Norte. O número de famílias desabrigadas e desalojadas têm aumentado a cada dia, e o que determina isso não tem sido necessariamente o aumento das águas, mas a chegada do socorro. Famílias que aguardavam, ilhadas, as canoas da Defesa Civil, mesmo vendo a água baixando, fazem a retirada, com medo de novas surpresas, vindas do céu ou dos rios pelos pequenos e grandes açudes.

O Ceará tem pelo menos 78 municípios atingidos pelas chuvas, 40 com decretada situação de emergência e, apesar da atuação da Defesa Civil em todos eles, somente 19 cidades receberam recurso financeiro do Governo do Estado. O governador Cid Gomes solicitou ao Ministério da Integração Nacional R$ 95 milhões para recuperação de estradas e casas destruídas pelas chuvas registradas no Estado.

Até ontem, o Governo do Estado havia repassado R$ 4,2 milhões para 19 municípios concentrados nas regiões Norte e no Vale do Jaguaribe.

Nesta região, os municípios de Limoeiro do Norte e Itaiçaba foram contemplados com R$ 200 mil e R$ 300 mil, respectivamente; o município de Granja, na zona norte, recebeu a maior fatia estadual, R$ 500 mil. Também foram beneficiadas as seguintes cidades: Acaraú (R$ 100 mil); Bela Cruz (R$ 300 mil); Canindé (R$ 200 mil); Chaval (R$ 200 mil); Coreaú (R$ 200 mil); Crateús (R$ 100 mil); Icó (R$ 100 mil); Itapajé (R$ 100 mil); Itapiúna (R$ 100 mil); Itarema (R$ 200 mil); Marco (R$ 300 mil); Morrinhos (R$ 200 mil); Pacujá (R$ 200 mil); Quixeramobim (R$ 300 mil); Santana do Acaraú (R$ 300 mil); e também Sobral (R$ 300 mil).

A ajuda governamental ocorre tendo como principal ferramenta a Defesa Civil do Estado. Até agora foram repassadas 360 toneladas de cestas básicas para todos os municípios atingidos em que suas prefeituras e coordenações municipais de defesa civil enviaram o relatório de impacto de danos. “E nesta semana são entregues outras 230 toneladas de alimentos”, afirmou o coronel Vasconcelos, coordenador geral da Defesa Civil, também avisando que aumentou o reforço de agentes do órgão que viajaram para atender as cidades. Mas o município de Jaguaruana, que registrou os primeiros atingidos nas chuvas do dia 23 de abril, tem um dos maiores índices de desabrigados e desalojados, mas ainda não recebeu ajuda financeira.

“Faz dias que fizemos o relatório, mandamos para o Governo do Estado, falei com o governador e ele disse que ia ver a situação para dar um retorno, mas ainda estamos aguardando”, disse Bebeto Delfino, prefeito de Jaguaruana. Ontem passava de 1.500 famílias desabrigadas, e vários locais estão sendo improvisados para abrigo. Até o local onde estavam alojados os bombeiros, que atuam no socorro às vítimas, precisou ser transferido, por conta das águas. “Só de quarta para quinta-feira removemos mais 120 famílias”, contabiliza Luis Lopes, coordenador municipal da Defesa Civil. Ontem, estava previsto da coordenação do órgão em Fortaleza enviar, até o fim do dia, mais 1.250 cestas de alimentos, uma carreta com água e mais 12 agentes da Defesa Civil Estadual.

A cidade de Jaguaruana, situada em terras baixas e que recebe afluência dos principais rios da região, conta com o socorro da própria Defesa Civil, de recursos da Prefeitura, da população local e entre os próprios desabrigados. “Têm famílias desabrigadas compartilhando o pouco que tem com as famílias que ainda não receberam a cesta básica”, afirma o prefeito Bebeto Delfino, emocionado com a solidariedade.

Demanda por colchões

Em Limoeiro do Norte, todos os abrigos estão abastecidos com alimentos. Em alguns casos a demanda é maior por colchões, providenciados pela Defesa Civil e a Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania, que tem mobilizada uma equipe 24 horas nucleada na sede da secretaria, onde também é acumulada uma reserva de alimentos e outros mantimentos. Em Tabuleiro do Norte, pelo menos 145 famílias estão desabrigadas ou desalojadas, principalmente das comunidades de Água Santa, Jenipapeiro, Patos e São Gerardo.

Ontem pela manhã, o centro da cidade de Morada Nova estava praticamente seco. No fim do dia anterior, foi efetivado o rompimento do canal de tomada da estação de bombeamento do Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas. Embora inicialmente sem previsão, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) decidiu pela agilidade no trabalho de escoamento das águas que inundaram Morada Nova.

Técnicos da construtora Andrade Gutierrez, com aval do Dnocs, abriram com retro-escavadeiras a estrutura, liberando a passagem de água, escoando-a de dentro da cidade de Morada Nova. O canal está instalado na beira do Rio Banabuiú, e já havia sido rompido em 2004, com a mesma finalidade. A água está escoando para o açude Curral Velho, com uma vazão de 2,2 metros cúbicos por segundo.

Mais informações:

Força Solidária - 199
BB - Ag: 3515-7 / Conta: 11024-8
BNB - Ag: 016 / Conta: 29393-8
Caixa Econômica Federal
Ag: 3281 / Op. 003 / Conta: 300-1

Melquíades Júnior
Colaborador

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Melquíades Júnior
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Desafio agora é enfrentar as doenças

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Um mundo de água e quase nenhuma para beber. As enchentes invadiram a estação de tratamento da Cagece em Itaiçaba, contaminaram a água dos rios e estouraram fossas em toda a cidade

"É um paradoxo. Por causa da enchente, não tem água. O abastecimento está cortado e a água dos rios está contaminada", explica o médico William Muriel Torres, de Itaiçaba. A peleja dos refugiados nesse inverno é encontrar água boa para beber, tomar banho e preparar a refeição. "Depois que meu menino passou três dias vomitando, fomos até o hospital. O médico deu soro e pediu que eu comprasse água mineral para ele beber", conta Neide Lima.

Com o dinheiro da pensão da mãe, ela agora se permite o luxo de comprar água engarrafada para o filho. A que chega no abrigo de carro pipa é turva. “Também está cheio de gente tomando banho no rio, não pode!”, diz o médico William.

A água suja, se ingerida, causa diarreia e febre, já em contato com a pele faz multiplicar o número de pessoas com micoses na população de Itaiçaba. “Tem muita, especialmente frieira. O povo vive com os pés na água suja”, conta a agente de saúde Maria Helena Silva Alves, 47.

Ontem, ela e mais seis agentes distribuíam hipoclorito para limpar a água de beber. Duas gotas em um litro são suficientes. Em tempo de inverno, nos abrigos e na zona rural, a água da chuva escorre pela bica do telhado e é aparada em tambores para matar a sede da família.

“O problema é que a telha e o tambor às vezes estão sujos. Estamos encontrando muita gente com diarreia e febre”, diz Maria Helena. Na Cidade Nova, parte alta de Itaiçaba, dona Inês Gomes, 48, recebe o hipoclorito pela primeira vez nesse ano.

Perto de sua casa, a sobrinha bebê se recupera de uma crise de garganta acompanhada de diarreia. A irmã mandou comprar remédios por conta própria. Outro erro em época de chuvas. Muitas doenças mais graves começam com sintomas comuns. Até a leptospirose, que pode matar, surge como uma simples gripe.

“As crianças estão em casa esperando o corpo sarar sozinho, não pode. É preciso estar alerta”, recomenda William. Nos abrigos, nas casas e barracas improvisadas na beira da estrada, sempre tem uma criança doente. Sempre.

Cleidiane da Silva, 17, padeceu junto com a filha de quatro anos. As duas tiveram febre, dor de garganta e gripe forte. Só depois de três dias, a mãe decidiu ir ao médico. “Sair daqui doente, pegando carona, desanima”, explica.

Em Itaiçaba, o hospital está funcionando no distrito de Alto Brito, para onde se transferiu também a Prefeitura. “As três equipes do Programa Saúde da Família (PSF) foram deslocadas para os locais de maior concentração. Ficam aqui (no Alto Brito), no Tabuleiro e no Serrote”, diz William.

As famílias isoladas na zona rural são as que mais preocupam. “Alguns médicos temem atravessar 16 quilômetros no Jaguaribe para chegar até as famílias ilhadas”, conta o coordenador da Defesa Civil do município Marcos Vinicios Vieira.

Enquanto as águas não baixam, os problemas de saúde mais comuns são as infecções respiratórias, gripes fortes, dores de garganta com febre alta, as infecções intestinais causadas pelas águas contaminadas e as micoses. Quando a água baixar, outras doenças devem surgir. Doenças ainda mais graves. “A que mais me assusta é a dengue. A água traz lixo, garrafas, baldes, tudo é depósito para a larva do mosquito nascer. Sem contar as águas empoçadas que demoram mais a secar”, preocupa-se a agente de saúde Gildenise Mendes de Deus.

Paulo Mesquita, nefrologista do Hospital da Divina Providência, no município de Russas, também teme um surto de dengue e o aumento dos casos de leptospirose, doença provocada pela urina do rato. “Há duas semanas chegou um rapaz aqui com leptospirose. Ele chegou a ser transferido para Fortaleza, mas faleceu”, conta Paulo. O jovem trabalhava numa plantação de arroz, área permanentemente alagada. “Ele demorou muito a procurar o hospital, o que não é raro em casos de leptospirose”, diz o médico.


EMAIS

- O Hospital da Divina Providência de Russas possui 70 leitos e já trabalha no limite, mesmo antes de sentir os reflexos da enchente na área da saúde, como informa o diretor da unidade, Antônio Rodrigues de Souza. Ontem, 100% dos leitos estavam ocupados.

- Duas características ajudam a diferenciar a leptospirose de uma gripe forte: dores musculares e icterícia (pele e olhos amarelados). "O problema é que na fase da icterícia, o fígado já foi comprometido", diz Paulo Mesquita, nefrologista.

- Depois da cheia de terça-feira, a água começou a baixar na cidade de Russas. A quadra esportiva ao lado do rio Banabuiú estava coberta até quarta-feira à tarde. Ontem de manhã, estava seca.

- Em Limoeiro do Norte, o nível do Jaguaribe diminuía aos poucos no fim da tarde de terça-feira.

- Em Itaiçaba, essa mesma água ainda está chegando. Ontem de manhã, a nova cheia ultrapassara a primeira em dois centímetros, de acordo com o coordenador da Defesa Civil, Marcos Vinicios Vieira. Marcos previa que hoje a água voltasse a baixar. 1.850 famílias estão fora de casa no município.

Texto: O Povo Online
Foto: Fco Fontenelle
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Castanhão diminui vazão de água

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O açude Castanhão está liberando menos água. Na tarde de ontem, as quatro comportas do açude tiveram uma redução em sua abertura e passaram a liberar 700 metros cúbicos (m³) por segundo.

A abertura de cada uma das comportas está em 1,92 metro, de acordo com Francisco Almeida Chaves, gerente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) em Limoeiro do Norte.

Com isso, o percentual de armazenamento no maior açude do Estado chega a 96,8% . Almeida diz que a quantidade de água que está sendo recebida pelo Castanhão é quase a mesma que está sendo liberada.

“Resolvemos baixar um pouco mais as comportas para ver se alivia a situação de Itaiçaba”, disse o gerente da Cogerh, referindo-se às enchentes que prejudicaram a cidade.

Já no açude Banabuiú, as seis comportas abertas também foram rebaixadas ontem. A abertura de cada uma chega a 60 centímetros. A vazão do Banabuiú está em 400 metros cúbicos por segundo, segundo informações da Cogerh.

A previsão é de que a situação se mantenha a mesma nos próximos dias, se não houver tanta chuva na região, segundo afirmou Almeida. Em todo o Estado, já são 116 açudes acima de sua capacidade máxima.

O último reservatório a sangrar foi o Farias de Sousa, localizado na cidade de Nova Russas. Com capacidade para mais de 12 milhões de metros cúbicos de água, o açude começou a sangrar ontem. A Cogerh monitora 131 açudes cearenses. (Daniela Nogueira)

Texto: O Povo Online
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Canal integrado ao Eixão terá rompimento

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Após informações do Dnocs, Cogerh esclarece que não haverá interferência direta no Canal da Integração

Limoeiro do Norte. Um canal integrado ao reservatório que leva água ao Canal da Integração, ou “Eixão”, será rompido em Morada Nova para aliviar os transtornos causados pela inundação na cidade. “Não será mexido diretamente no Canal da Integração”, afirmou Francisco Teixeira diretor da Cogerh, em esclarecimentos à reportagem veiculada ontem no Caderno Regional. A informação havia sido repassada um dia antes pelo próprio diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, minutos antes do sobrevôo ao açude Castanhão, na região jaguaribana. A Cogerh vê como acertada a decisão do Dnocs, se for de romper o canal de tomada da estação de bombeamento do Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas, que recebe água do açude Castanhão.

A decisão sobre uma intervenção na construção hídrica foi pauta de reunião com o prefeito de Morada Nova, Glauber de Castro, o deputado Manoel de Castro e a direção geral do Dnocs antes que fosse feito sobrevôo, realizado ontem pela manhã, à região afetada. O primeiro a informar à reportagem foi o prefeito Glauber Castro, que disse que “o fato novo é que resolveram abrir o Canal da Integração”. Ontem, o prefeito reconheceu que o que vai sofrer interferência é um canal que leva água para o Eixão.

“O Dr. Elias Fernandes (diretor geral do Dnocs) me convidou para sobrevoarmos o local e vermos o que será feito, mas eu tinha uma entrevista marcada na TV”, esclarece Teixeira, da Cogerh, justificando não ter participado de nenhuma decisão. Elias Fernandes e o engenheiro Getúlio Maia foram ouvidos pela reportagem, que pedia esclarecimentos ao que havia sido relatado pelo prefeito. A situação de Morada Nova se agravou depois das chuvas de 139mm e 47mm em dois dias seguidos, além do arrombamento de pequenos açudes, que, irregulares e sem fiscalização, têm comprometido mais ainda a situação das cheias no Interior, conforme já alertava a reportagem do Regional.

A decisão pela destruição do canal de tomada da estação de bombeamento do Distrito Irrigado Tabuleiros de Russas é feita no sentido de aliviar Morada Nova e, também, uma alternativa à incapacidade de se tirar tanta água da cidade somente pela estação de bombeamento, que, segundo o próprio diretor da Cogerh, carece de manutenção. A cidade ficou alagada pelas chuvas recentes e o arrombamento de 21 açudes de pequeno porte. Um dique construído para proteger a cidade da inundação do rio Banabuiú produziu efeito reverso, na medida em que está impedindo a saída das águas da cidade em direção ao rio.

Decisão acertada

A destruição do canal de bombeamento do Distar, situado à beira do rio Banabuiú, fará as águas caírem no açude Curral Velho, que, por sua vez, está conectado ao Canal da Integração, ou Eixão. Conforme Francisco Teixeira, a medida não fará qualquer interferência no abastecimento do Canal da Integração.

A Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH) também afirmou que a intervenção é feita pelo Dnocs, que dá o aval à Construtora Andrade Gutierrez, que já realiza as obras da segunda etapa do Distrito Irrigado Tabuleiros de Russas (Distar). “É bom que se diga que a decisão pelo rompimento desse canal é acertada. Ele é escavado na beira do rio Banabuiú, na periferia da cidade. É na barragem de Curral Velho que o Eixão se ligará ao Distrito Tabuleiros de Russas. A água que atingiu Morada Nova veio principalmente da chuva, menos do Banabuiú ou do açude Arrojado Lisboa. Se fosse só as águas do Castanhão passando para lá, não teria inundado”, afirma Francisco Teixeira.

Conforme o prefeito Glauber Castro, a interferência na obra desse canal terá significado importante para ajudar as famílias atingidas.

Situação crítica

Agora supera a marca de 1.300 famílias desabrigadas no município de Jaguaruana. De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil, Luis Lopes, a situação ficou mais crítica. “Tá chovendo pouco, mas a cheia do Banabuiú e as águas do Castanhão fizeram elevar as águas aqui”, conta, calculando em 40 centímetro o nível das águas de terça para quarta-feira, ainda reflexo das chuvas caídas em Morada Nova e do aumento da vazão de 800 para 1000 metros cúbicos das comportas do Castanhão.

Por outro lado, Luis Lopes reconhece que hoje a situação pode melhorar um pouco, com os dois dias seguidos de poucas chuvas e a diminuição na vazão do Castanhão. Os desabrigados estão precisando, principalmente, de colchões. O estádio municipal também passou a ser abrigo. O município recebe doações pela conta do Banco do Brasil, agência 2201-2, conta 2009-5, em nome de Vítimas Enchentes 2009.

O Governo do Estado lançou na segunda-feira a Força Solidária, que unifica as iniciativas para arrecadação de donativos para as vítimas das cheias.

FIQUE POR DENTRO

Medida serve para descongestionar trecho

O rompimento do canal de tomada da estação de bombeamento do Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas, cujo distrito pertence aos municípios de Russas e Limoeiro, é a medida adotada para descongestionar as águas que caíram das chuvas no início da semana em Morada Nova. O canal está situado à beira do rio Banabuiú, na periferia de Morada Nova, e já sofreu uma intervenção no ano de 2004, com bons resultados. ´Quando rompe o canal de tomada, a estação de bombeamento ajuda a tirar água da cidade, que vai por uma adutora até o Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas e cai na barragem Curral Velho, onde se junta com a água do Eixão´, explica o diretor da Cogerh, Francisco Teixeira, acrescentando que ´acho que o pior já passou, em relação às inundações na região´. Pela primeira vez no mês, o açude Castanhão recebia, por volta de meio dia de ontem, a mesma quantidade que liberava, mil metros cúbicos de água por segundo. O fato se deu pela diminuição do volume do rio Salgado, resultado da diminuição das chuvas na região.

Mais informações:

Cogerh
Av. Aguanambi, 1770, Fortaleza (CE), (85) 3257.8715
Secretaria de Recursos Hídricos do Estado, (85) 3101.4018/3996

MELQUÍADES JÚNIOR
Colaborador

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Rodrigo Carvalho
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Incertezas no caminho dos moradores de Ilhas

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A cena se repete em todas as cidades invadidas pelos rios no Baixo Jaguaribe. As famílias só saem de casa se a água entrar pela porta. Mesmo assim, o marido ou um filho continuam indo para dormir, guardando a casa. Quem vai ficando sofre de solidão

Na casa de Fausta da Silva, 47, só o móvel da TV continua no lugar. O som da novela faz companhia, agora que as vizinhas foram embora para abrigos no outro lado da margem do Jaguaribe, no município de Limoeiro do Norte.

Fausta também passou a última noite fora, na casa da filha, mas não dormiu. “Gosto de ficar perto das minhas coisinhas”, sorri. Ela vai mostrando a nova arrumação da casa.

Boa parte das coisas foi de canoa para a creche que abriga oito famílias a alguns metros dali. As camas estão penduradas bem no alto, amarradas com cordas nos troncos da viga. O guarda-roupa foi desmontado, o fogão está em cima de tijolos e duas cadeiras de plástico ficaram no lugar do sofá.

Na terça-feira à tarde, quando a segunda cheia do Jaguaribe cobriu os três degraus da entrada da casa e lambeu a soleira da porta, ela, o marido e o filho deixaram tudo pronto para o pior.

Ontem, a água baixou. Na rua, ainda bate na canela, mas recuou pelo menos um metro. “Graças a Deus, hoje vou dormir aqui. Não sei amanhã(hoje) nem depois. Pode ser que chova, pode ser que o Castanhão encha mais, mas enquanto não chegar dentro de casa, não vou pra canto nenhum”, resiste.

De repente, a voz firme explode num choro. Há 17 dias, Fausta vive esperando chegar amanhã para ver como vai ser, onde vai dormir e como vai fazer para não perder as roupas empilhadas em cima das camas. “É uma agonia que cansa”.

Tristeza
O nome do bairro onde mora, Ilhas, nunca fez tanto sentido. Para chegar, só de barco. Os três primeiros quarteirões têm água na altura da janela das casas. O rio invadiu a oficina, o cabeleireiro e o mercadinho.

“Dá uma tristeza, uma solidão, principalmente à noite. As mulheres ficavam aqui fora conversando até 22h, 23 horas. Faz dias que não tenho com quem conversar, fica só a família mesmo. Quem ainda está aqui não fica pra lá e pra cá com essa água toda na rua”, desfia Lucia de Fátima Alves, 53, mulher do canoeiro.

Ela mora na mesma rua de Fausta. Não chegou a “altear” os móveis porque a água não alcançou o primeiro degrau da entrada. “Meu marido disse que, se cobrir o primeiro, a gente arruma tudo. Muita gente perdeu coisa, porque duvidou do rio”, diz.

Na terça-feira à noite, pela terceira vez nesse inverno, Lucia ouviu os gritos de desespero de quem tentava salvar os móveis. “Do fundo do coração, espero que tenha sido a última vez. Está todo mundo cansado. Com vontade de arrumar a bagunça e retomar a vida”.


E-Mais

> Em Limoeiro do Norte o número de famílias em abrigos públicos chegou a 214. Um dia antes desse balanço, na terça-feira, eram 120. O número de famílias dormindo na casa de parentes e amigos chega a 420.

> 2.500 famílias estão desabrigadas em Morada Nova. “Nos abrigos tem gente com computador e TV 19 polegadas. A enchente deixou a cidade toda sem casa, inclusive os que têm dinheiro”, conta Priscila Aragão, uma das poucas moradoras que continuam em casa.

> A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) prevê para hoje, na Região do Jaguaribe nebulosidade variável com chuvas.

> A maior chuva registrada ontem foi na Zona Norte, na cidade de Granja - 50mm. Depois, aparecem os municípios de Coreaú, na Ibiapaba - 29mm. No Jaguaribe, a maior chuva foi registrada no município de São João do Jaguaribe, com 20 mm.

> Segundo dados da Funceme, em Limoeiro do Norte e Morada Nova não choveu até às 7 horas de ontem.

Texto: O Povo Online
Foto: Fco Fontenelle
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Parte do canal da integração será destruída para amenizar inundações

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Limoeiro do Norte. Equipes da Cogerh e do Dnocs procuram alternativas para aliviar o transtorno das cidades atingidas pelas enchentes. Para tanto, uma parte do Canal da Integração deverá ser destruída, em Morada Nova, para escoar a água que invadiu a cidade no início desta semana. O fato foi causado, em parte, pelo arrombamento de 21 pequenos açudes — a maioria construções irregulares e sem fiscalização — que pressionaram o açude Curral Velho e o rio Banabuiú. Em Limoeiro e Jaguaruana, mais pessoas deixaram as casas na manhã de ontem e as campanhas para doação de alimentos foram intensificadas na região.

É um efeito dominó. Um pequeno açude enche, não aguenta tanta água, arromba, cai em outros açudes e, destes, as águas seguem para os rios. Tem sido assim em todas as regiões do Ceará que sofrem alagamentos. O problema é que a falta de estrutura dessas construções compromete o plano de operação de açudes como Castanhão e Banabuiú, que controlam a vazão de suas águas.

Excedente hídrico

O Castanhão está liberando mil metros cúbicos de água por segundo de quatro comportas para a calha do rio Jaguaribe, que suporta essa vazão como limite. No entanto, a chuva aliada ao escoamento de águas, vindas dos pequenos açudes que transbordaram ou aumentaram, gera o excedente hídrico no rio, que não suporta tanta água para além da que é recebida do Castanhão. Este, o maior açude do Ceará, estava ao meio dia de ontem com 96,5 de sua capacidade, na cota 105,43 — a 57 centímetros de sangria. A Ilha de Santa Terezinha, em Limoeiro, é uma das mais castigadas, pois fica exatamente entre os rios Jaguaribe e Banabuiú, que estão, literalmente, encontrando-se, e a comunidade, de ilhada, pode passar a ficar totalmente alagada.

Na mesma cidade, o açude Paulo do Monte, no bairro Antônio Holanda, deixou a população atemorizada. Suas barreiras de terra apresentavam rachaduras, causadas pelo acúmulo excessivo de água — um bueiro entupido piorava a situação, mas tratores utilizados pela Secretaria de Infra-Estrutura e Desenvolvimento já conseguiram atenuar o problema.

Sem monitoramento

A Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Cogerh) monitora 130 açudes no Ceará, mas existe um número maior de pequenos reservatórios, muitos em propriedades particulares, que não sofrem monitoramento, nem mesmo a fiscalização necessária desde a sua construção. Há uma semana a cidade de Iracema, no Vale do Jaguaribe, foi surpreendida com a invasão das águas, mesmo horas após as chuvas. O motivo: dois pequenos açudes sangraram e um terceiro, que recebeu as águas daqueles, arrombou com a força das águas, que foram levadas para o leito do rio Figueiredo.

A casa do prefeito de Morada Nova, Glauber Castro, amanheceu ontem com 40 centímetros de água. “Mas o pior é ver as famílias muito pobres que perderam tudo que aos poucos conquistaram na vida”, admite. Na última segunda-feira aconteceu, em Fortaleza, uma reunião envolvendo o prefeito de Morada Nova, Glauber Castro, as diretorias do Dnocs, da Cogerh e representantes da construtora Andrade Gutierrez, responsável pelas obras do Canal da Integração e da segunda etapa do Distrito Irrigado Tabuleiros de Russas.

A principal alternativa apontada para retirar as águas que invadiram o município é acabar com o barramento causado pela parede do Canal. De acordo com o engenheiro Getúlio Maia, do Dnocs, a intenção é retirar água da cidade de Morada Nova por meio da estação elevatória da Cogerh no Tabuleiros de Russas.

Por telefone com a reportagem, o diretor geral do Departamento, Elias Fernandes, disse ser a melhor atitude a se fazer no momento. “Fizemos isso em 2004 e deu certo”, afirmou, minutos antes de sobrevoar os açudes da região jaguaribana, na manhã de ontem. A construtora Andrade Gutierrez fará o serviço de drenagem em Morada Nova, e o alívio pode repercutir nas cidades de Tabuleiro e Limoeiro do Norte.

A situação nos municípios jaguaribanos, desde as chuvas de domingo e segunda-feira, são de evoluir de situação de emergência para estado de calamidade pública. O nível das águas, que havia reduzido entre 60 e 70 centímetros no último fim de semana, voltou a subir. Na cidade de Limoeiro do Norte, ultrapassou a “marca velha” (o chamado nível mais alto da cheia anterior) em cerca de 80 centímetros.

SERTÃO CENTRAL

Situação de estradas pode deixar região isolada

Quixadá. Depois da CE-456, a CE-060 também foi cortada pela enxurrada provocada pelo arrombamento de mais uma barragem particular. Na CE-265, próximo ao município de Morada Nova, a situação é a mesma. Na mais movimentada delas, a CE-359 (BR-122) vários trechos estão avariados. Em um deles o trafego está sendo realizado somente por um lado da rodovia. Há risco de rompimento. Uma cratera está se abrindo debaixo do solo. Se o restante for levado, o tráfego viário da região do Sertão Central ficará praticamente ilhado da Capital.

Para chegar de Quixadá a Morada Nova somente percorrendo mais 40 quilômetros, mesmo assim, em estrada de barro. Na CE-456, o acesso continua destruído entre a cidade de Choró e o distrito de Campos, em Canindé. Ainda não existe desvio. Apenas motocicletas circulam por ali.

O trecho da CE-060 arrastado pelas águas está situado no distrito de Caio Prado, entre os municípios de Itapiúna e Quixadá. Já na CE-359, as áreas mais atingidas estão entre a sede da cidade de Ibaretama e o distrito de Piranji.

Coincidentemente, os danos causados nas rodovias que cortam a região foram provocados pelo rompimento de pequenos açudes. Na opinião do inspetor regional do Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia (Crea) e coordenador da Defesa Civil de Ibaretama, Carlos Bezerra Filho, nenhum desses reservatórios recebeu assistência de profissionais especializados.

Sem orientação

Por conta da falta de orientação técnica, as paredes cedem à pressão de um maior volume de água destruindo tudo à frente. Não existem números oficiais. São mais de 50. As equipes dos distritos operacionais do Departamento de Edificações e Rodovias (DER), responsáveis pela manutenção nessas áreas, ainda não haviam definido as estratégias para normalização do tráfego nos trechos rompidos. Todavia, técnicos já avaliaram a situação da rodovia CE-359.

Na semana passada, haviam restaurado outra área. A solicitação partiu dos vereadores de Ibaretama. Eles esperam a adoção do mesmo procedimento de emergência, caso contrário, além do isolamento, há risco também de acidentes.

Os mais afetados com a obstrução das vias estaduais que cortam a região são os transportes coletivos e também os veículos de carga.

Com receio de afundarem no caminho, muitos automóveis retornam da viagem. Sem informação sobre a real situação das estradas, perdem horas até se certificarem se, além de seguro, o caminho não está obstruído. O mais grave, na opinião de motoristas profissionais como o gaúcho Thiago Berluci, é a falta de sinalização. Ele ficou assombrado com o improviso. Apenas mechas de capim anunciam o perigo mais à frente.

A Companhia de Patrulhamento Rodoviário (CPRV) alerta os motoristas para dirigirem com cautela. O órgão orienta para que eles não sigam viagem no período noturno. O perigo é constante já que parte dos trechos danificados não possui nenhum tipo de alerta noturno. Podem piorar a qualquer momento, dependendo da intensidade das chuvas.

Mesmo durante o dia é prudente evitar o tráfego quando o tempo estiver fechado.

Mais informações:

Departamento de Edificações e Rodovias (DER) do Estado do Ceará
(85) 3101.5704
www.dert.ce.gov.br

Mais informações:

Núcleo de Apoio às Vítimas das Enchentes
Em Limoeiro do Norte, (88) 3423.1340
Em Jaguaruana, (88) 3428.1288

Alex Pimentel
Colaborador

Melquíades Júnior
Colaborador

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Rodrigo Carvalho
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De olho na cheia do Banabuiú

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Á água voltou a assombrar a população de Russas. Mais 146 famílias deixaram suas casas ontem. O rio Banabuiú é o maior responsável pelo avanço da água na cidade

Joaquim Antônio da Cruz, 42, atravessa a água que bate no meio das coxas, carregando a filha nos ombros e duas sacolas no braço. São quase 16 horas. De manhã cedo, quando saiu para trabalhar, fez o mesmo caminho com a rua ainda seca. Às 11 horas a sogra ligou avisando que a água já estava na soleira da porta. A cheia no rio Banabuiú chegou ao riacho Araibu, que passa atrás da comunidade Pitombeira I, onde Joaquim mora.


A mudança está no caminhão disponibilizado pela Prefeitura de Russas. Vai levando geladeira, fogão, colchão e duas mudas de roupa. Pela terceira vez nesse inverno, a casa da família foi invadida pela água.

“De primeiro, alteamos os móveis e continuamos lá. Agora não dá mais pra ficar”, conta Joaquim. Ele segue com a filha e a esposa para a casa de um conhecido sem saber quando volta para a sua. “Tá difícil esse ano. Estamos cansados dessa apreensão”, desabafa.

Dona Maria Hema Mourão, 58, também não aguenta mais. Há 17 dias, não dorme uma noite inteira.”Passo a madrugada todinha levantando para olhar a água no quintal. É um desassossego!”, conta, apontando as lâmpadas que mandou pendurar do lado de fora da casa para vigiar a altura da água à noite.

Às 4 horas ela liga o rádio para acompanhar as notícias. “Tão mandando todo mundo sair da beira da água porque vai vir mais cheia aí!”. Os avisos finalmente surtiram efeito.

No fim da tarde, Hema preparava sua saída. O medo da água venceu o medo dos ladrões. “Se não bastasse toda a tragédia, ainda tem gente que arromba as casas fechadas, mas não temos mais solução”. Desde cedo, o marido, Enoque Mourão, 58, ia e vinha da fazenda de um amigo, levando sacos cheios de galinhas na bicicleta. O casal recebeu guarida do amigo fazendeiro e os vizinhos ajudaram a levantar os móveis com cavaletes e tábuas.

O avanço do rio Banabuiú, que corta Russas, e do rio Jaguaribe, que margeia o município, aumentou o número de famílias desalojadas no município. Ontem mais 146 deixaram suas casas. A maioria saiu das comunidades de Pitombeira I e II, Sítio Canto e Parelhas. Agora são 694 famílias desalojadas. Até ontem a Prefeitura mantinha seis abrigos em espaços alugados. As escolas do município estavam sendo poupadas para evitar a interrupção das aulas, mas com a nova cheia já estão de sobreaviso.

Mesmo com a água do rio Banabuiú subindo a olhos vistos, muita gente preferiu continuar em casa. “Vou esperar até amanhã. Tem os bichos aqui. Não tenho o que fazer com eles”, diz Valzenir de Oliveira, 34. Na porta de sua casa, a água chega a meio metro. Maria do Socorro Silva, 52, também decidiu ficar. “Não tenho para onde ir. Seja o que Deus quiser”.


E-Mais

Da BR-116, a visão dos rios Banabuiú e Jaguaribe impressiona. Nas duas pontes, curiosos param para admirar o mundo d’água. A estrada está em péssimas condições. Vez ou outra, caminhões carregando mudanças cruzam o caminho. É gente fugindo das enchentes.

Em Russas, a produção de cerâmica é uma das principais atividades econômicas e fonte de renda de muitas famílias. Quase todas as olarias estão fechadas por causa das enchentes.

A Defesa Civil de Russas conta com seis canoas para acessar mais de 20 comunidades na zona rural.

Na BR 116, o nível do rio Banabuiú subiu 1,46 metro de segunda para terça-feira. De acordo com Francisco Almeida Chaves, gerente da Companhia de Gestão dos Recursos Hidrícos (Cogerh) em Limoeiro do Norte, o volume de água é resultado das chuvas em Morada Nova e Ibicuitinga na madrugada de segunda. Ulisses de Souza, coordenador geral do Complexo do Castanhão, diz que o Banabuiú é o vilão desse inverno na região.

Texto: O Povo Online
Foto: Fco Fontenelle
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terça-feira, 12 de maio de 2009

Internautas criam Rede de Solidariedade

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As matérias publicadas no Diário do Nordeste motivam criação de rede na Internet para pedir ajuda aos desabrigados

Limoeiro do Norte. Em solidariedade às vítimas das enchentes do Ceará, grupo de servidores públicos e estudantes desencadeiam uma massificada divulgação do quadro crítico das chuvas no Ceará em uma Rede de Solidariedade lançada na Internet, repassando para milhares de e-mails, transmitindo a cobertura de textos e fotos do Diário do Nordeste. “Se a chuva proporciona beleza, pare e contemple; mas se gera angústia e destruição, ande e ajude”. A frase anterior, que iniciava a reportagem do Caderno Regional do último domingo, virou o lema dos internautas que divulgam as notícias sobre a situação das cheias no Ceará.

“Esperamos que nos entendam e nos ajudem a socorrer os nossos conterrâneos nordestino, assim como fizemos para Santa Catarina no ano passado e que no momento sofre com a seca. Esse é o preço que estamos pagando e vamos continuar pagando devido à poluição e degradação do meio ambiente. O momento é de ajuda, não é necessário nem ler a matéria do Diário do Nordeste na íntegra, no início basta olhar para a foto (publicada na matéria) e se transportar para o lado daquele que está apenas pedindo um prato de comida, porque está ilhado de água poluída, pagando pelo erro que não cometeu”, diz a mensagem de João Marcélio, do município de Jaguaribe, a milhares de internautas brasileiros.

Ainda acrescenta: “imagine se fosse o nosso filho, o teu irmão, sobrinho, parente, enfim, um ser humano com um prato vazio pedindo comida, o que você faria? Esse é o ponto desesperador de um ser humano”. Todos os dias novos e-mails são espalhados às dezenas de milhares contendo as imagens do Diário do Nordeste com os estragos das chuvas e o desespero das famílias que perderam a casa, mas por pouco não perderam a vida.

Em Jaguaruana, desde a semana passada, uma conta corrente foi disponibilizada para receber doações aos desabrigados daquele município. Na mesma cidade, e em Itaiçaba e Canindé, os núcleos de apoio da Defesa Civil recebem donativos da população e de empresários às vítimas das cheias. Segundo o coronel Sérgio Gomes, do Corpo de Bombeiros, alguns dos itens mais necessários nesta semana são fraldas e leite para as crianças.

Mais informações:

Defesa Civil de Jaguaruana
(88) 3428.1288
Conta para depósito para as vítimas das chuvas em Jaguaruana
Banco do Brasil - agência: 2201-2, conta: 2009-5, em nome de: Vítimas Enchentes 2009

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Melquíades Júnior
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Medo e tensão nas cidades do Jaguaribe

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Agora são 1.000 m³ de água saindo do Castanhão a cada segundo. O volume compromete a vazão do rio Jaguaribe, já cheio, provocando tensão nos municípios do Baixo Vale que ainda nem se recuperaram das cheias do início do mês.

Voltou a chover forte na região do Jaguaribe na madrugada de domingo para segunda. Só em Morada Nova foram 139,2 milímetros. Com tanta água, não deu mais para segurar a vazão do Castanhão em 870 metros cúbicos (m³) por segundo, volume alcançado no último sábado. O maior açude do Estado acumula 96,2% de sua capacidade total de armazenamento.

Ontem a Companhia de Gestão dos Recursos Hidrícos (Cogerh) aumentou a fenda das quatro comportas abertas de 2,25 para 2,75 metros. A operação elevou a saída de água para 1.000 m³, chegando bem perto do volume de entrada, estacionado em 1.050 m³ por segundo.

A água liberada cai no leito do rio Jaguaribe e deve provocar novas inundações nos municípios localizados no chamado Baixo Vale, especialmente em Itaiçaba, Jaguaruana, Russas, Limoeiro e Tabuleiro do Norte. Para piorar, o açude de Banabuiú, o terceiro maior do Ceará, também teve que aumentar a saída de água. Agora despeja 900 m³ por segundo no rio Jaguaribe. “Essa é uma notícia muito ruim. Não quero alarmar o povo, mas o impacto disso é grande”, preocupa-se Luis Lopes Pinheiro, coordenador da Defesa Civil de Jaguaruana.

O município já conta 1.250 famílias desalojadas, sem somar as que foram para a casa de amigos ou parentes. Não há mais espaços para abrigos. Os seis distritos da zona rural estão isolados. “Não sei como vai ser. Já estamos com 22 abrigos. Não tenho nem lona para levantar barracões. O Governo do Estado vai ter que ajudar. Vem água aí e não demora”, desabafa Luis.

Grande parte da sede do município continua alagada. São pelo menos cinco bairros. O Tabuleiro é um que permanece com água na canela. Seu Serafim da Silva, 50, resistiu, mas teve que deixar a casa no domingo. Oito dias antes, a família já tinha ido para uma das várias escolas que servem de abrigo. “De manhã achei que tinha baixado (o rio), mas só Deus sabe quando isso vai acabar. Já subiu de novo. A água lá em casa dá no joelho”, conta desgostoso.

No fim da tarde, uma dezena de moradores circula pela área alagada. Cumprem a segunda visita diária aos domicílios abandonados. Abrem as janelas, deixam o ar entrar, conferem o estado dos móveis e marcam território. “Por isso não saio. A gente tem que pastorar a casa, pastorar as coisas que leva para o abrigo e ainda se amontoar com um monte de gente”, diz Maria Vilani Dantas, 48. Ela está ilhada no Tabuleiro. Tem mais de 0,50 centímetros de água na porta da frente e dos fundos, mas insiste em ficar. “Já deu água de ponta a ponta na casa, mas raso. Agora diz que o Castanhão tá jogando muita água. Depois disso não sei se vou poder continuar aqui”, lamenta.

Em Itaiçaba, ainda de manhã cedo, o clima era mais tranquilo. A sede do município está completamente alagada desde o início do mês, mas aos poucos algumas ruas vão secando. Na esquina da avenida principal, dois botes amarrados ao poste sintetizam o cenário. Todas as casas estão fechadas.

Correria
A coordenação da Defesa Civil e toda a administração de Itaiçaba estão funcionando num colégio no distrito de Alto Brito, onde está concentrada 60% da população de oito mil habitantes. Em vinte abrigos, dividem-se 1.800 famílias. “Agora que a coisa acalmou estamos tentando nos organizar. Na semana passada foi uma correria”, diz o coordenador da Defesa Civil, Marcos Vinicios Vieira.

A chegada de mais água do Castanhão pode repetir a agonia, mas Marcos acredita que o município tem tempo hábil para remover moradores de áreas que venham a ser afetadas. No domingo, o prefeito da cidade, Frank Gomes, já pensava em retirar cerca de duas mil famílias de cinco comunidades rurais. “O rio baixou uns 30 centímetros pra aguentar a água que vem aí. A vantagem é que ela chega de forma gradual. Temos até quarta-feira para fazer qualquer retirada. Para não deixar a população alarmada, temos que agir com calma”, diz.


EMAIS

- O Governo do Estado prometeu liberar R$ 300 mil para Itaiçaba. O recurso deve chegar em vinte dias. “Demora porque a burocracia é grande, mas já está garantido, isso é o mais importante”, diz o coordenador da Defesa Civil do município Marcos Vinicios Vieira.

- Em alguns abrigos de Itaiçaba, a Prefeitura está utilizando banheiros sépticos. O vaso sanitário é posicionado em cima de um buraco com fundo de cal. Quando o espaço vai ench endo, aquele buraco é tampado e abre-se outro ao lado. Nos abrigos, essa é a maior dificuldade. Na olaria que abriga 80 famílias, por exemplo, são três chuveiros e quatro banheiros.

- O Canal do Trabalhador passa no meio do município de Itaiçaba e transbordou com a cheia. A obra desviou o curso do rio Palhano para a calha do riacho Araibu. “Veja bem, a calha de um rio correndo num riacho”, frisa Iomar de Araújo, agente rural da Prefeitura. O Araibu estourou há cerca de duas semanas e isolou cinco comunidades da zona rural. Para chegar em algumas, é preciso pegar até três canoas.

Texto: O Povo Online
Foto: Fco Fontenele
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Itaiçaba e Jaguaruana preparam retirada de moradores

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Dois dos municípios mais afetados pela cheia do rio Jaguaribe até agora, Itaiçaba e Jaguaruana acompanham com preocupação a possibilidade de mais aumento na abertura das comportas do açude Castanhão.

Com medo de uma maior elevação no nível das águas, prefeitos de Itaiçaba e Jaguaruana se preparam para retirar populações que habitam a zona rural dos municípios. Em Itaiçaba, onde 90% da zona urbana já está totalmente alagada, a possibilidade de novas aberturas de comportas do açude Castanhão, é acompanhada com temor. De acordo com o prefeito Frank Gomes, que até ontem à tarde ainda desconhecia o aumento de 670 para 870 metros cúbicos por segundo a vazão do açude, se ainda houver mais liberação de água para o rio, no máximo em 48 horas cinco comunidades da zona rural terão que ser completamente desocupadas, além de outras quatro parcialmente. Ele pergunta onde irá colocar tanta gente, uma vez que todos os prédios públicos, igrejas católicas e evangélicas, casa de farinha e até uma fábrica de cerâmica que o proprietário desativou a produção para colaborar com a causa, já estão servindo de abrigo para desalojados e desabrigados.

De imediato o prefeito diz que terá que retirar toda a população das comunidades Arraial, Camuri, Alto Ferrão, Inácio Pereira e Rancho do Povo. Segundo ele, as cinco reunem mais de mil habitantes. Além destas, precisa retirar pelo menos 20% dos moradores de Logradouro, Canto da Onça, Caris e Baixo Jiqui, o que vai ultrapassar duas mil pessoas necessitando de abrigo. Gomes reforça que a situação já é extremamente difícil. Bebeto Delfino, prefeito de Jaguaruana, diz que a ampliação da abertura das comportas do Castanhão no último sábado, já aumentou em cerca de 40 centímetros o nível do rio até ontem, o que fez com que as águas voltassem a invadir casas.

Delfino diz que nos últimos dias o Jaguaribe havia baixado cerca de um metro, amenizando um pouco o problema. Agora diante da possibilidade de receber mais água do açude, certamente aumentará em muito as dificuldades. Somando a isso há preocupação também com a possibilidade de mais chuvas n a região. Segundo ele, o município já tem mais de 500 famílias acomodadas em casas de parentes, e na zona rural, cerca de 10 mil pessoas ilhadas. “Amanhã (hoje) cedo vou me reunir com as equipes para começar a retirada de pessoas das áreas ameaçadas de mais inundação”, diz ele.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Leandro Nogueira, se for necessária uma maior abertura para as comportas, o Corpo de Bombeiros em Aracati é informado, e de imediato se desloca as comunidades que ficam mais próximas ao Jaguaribe para monitorar como as águas vão chegar. Ao mesmo tempo é providenciada a operação para retirada de pessoas de áreas de risco. Segundo ele, como as águas vão chegando gradativamente, há tempo para a ação ser providenciada com segurança e antecedência.

SITUAÇÃO

MUNICÍPIO DESALOJADOS DESABRIGADOS
Itaiçaba 2.739 730
Jaguaruana 1.200 3.800
Russas 2.400 -
Tabuleiro do Norte 250 5
Limoeiro do Norte 919 487
Aracati 28 18

FONTE: Defesa Civil

Texto: O Povo Online
Foto: União Fm
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Cogerh pressionada a aumentar vazão

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Um dia depois de aumentar em 200 m³ a saída de água do Castanhão, a Cogerh segura as comportas como estão mesmo com o aumento no volume de água dos dois principais afluentes do açude que já ocupa 95,5% de sua capacidade total.

Choveu forte na região do Cariri de sábado para domingo. Só no município de Carius foram 137 milímetros. A chuva fez aumentar a sangria do açude de Orós, que agora libera 735 metros cúbicos (m³) de água por segundo no rio Jaguaribe. O rio Salgado, outro afluente do Jaguaribe, aumentou a vazão em 200 m³ no fim de semana na altura do município de Icó. Subiu de 440 para 640 m³ por segundo.

As mudanças pressionam a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) a aumentar ainda mais a abertura das comportas do Castanhão. O açude de Orós e o rio Salgado são os dois principais afluentes do maior açude do Estado, que já alcançou 95,5% de sua capacidade total de armazenamento. Até ontem eram 6,4 bilhões de m³ de água no reservatório.

Na manhã de domingo, a Cogerh planejava aumentar a saída de água do Castanhão de 870 m³ para 1.000 m³ por segundo, repetindo a operação realizada no sábado que elevou a vazão de 670 para 870 m³. Temendo o impacto nos municípios do Baixo Vale do Jaguaribe, que já enfrentam as consequências das enchentes, a Cogerh voltou atrás na segunda avaliação de domingo, feita à tarde, e decidiu adiar a abertura das comportas. “Ontem tivemos a folga do Banabuiu. Hoje não temos. Sabemos que as cidades do Baixo Vale vão sentir se abrirmos, por isso adiamos. Como o Castanhão ainda pode reter um pouco, vamos aguardar até amanhã (segunda-feira)”, afirma Yuri Castro, assessor da Cogerh.

No sábado, a vazão do açude de Banabuiu, outro afluente importante do rio Jaguaribe, diminuiu em 200 m³ com o estreitamento da abertura das comportas. Dessa forma, o aumento da vazão do Castanhão foi neutralizada. De acordo com Yuri, os efeitos da cheia no rio Salgado e no Orós chegam gradativamente ao Castanhão, o que dá mais tempo para a equipe decidir o que fazer. Mesmo com o açude perto do limite, a Cogerh quer evitar jogar mais água no rio Jaguaribe, resguardando os municípios que margeiam o rio em seu percurso abaixo do Castanhão.

Itaiçaba e Limoeiro do Norte, municípios já em estado de emergência, estão entre as cidades mais ameaçadas pela vazão do Castanhão junto com Tabuleiro do Norte, Russas e Jaguaruana. Mesmo elevando a saída de água para 1.000 m³, como cogitou a Cogerh, o Castanhão vai permanecer utilizando mais de 95% de sua capacidade total. Yuri não arrisca prever como o açude deve se comportar nesta segunda-feira ou que estratégia a Cogerh deve adotar. “É uma operação tão dinâmica, decide-se uma coisa de manhã e de tarde muda. Se cair muita água na região acima do Castanhão ou lá embaixo, altera totalmente o que se pensou hoje”.


E-Mais

> Até domingo, a entrada de água no Castanhão permanecia em 1.050 m³ por segundo mesmo com o aumento da vazão do Orós e do rio Salgado.

> As cidades do Baixo Vale do Jaguaribe mais ameaçadas pelo Castanhão são Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte, Russas, Itaçaba e Jaguaruana.

Texto: O Povo Online
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sábado, 9 de maio de 2009

Atual situação do Castanhão

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CAPACIDADE - 6.700.000.000(m3)


COTA - 105.17


VOLUME EM METROS CÚBICOS - 6.362.260.000


VOLUME EM PERCENTUAL - 95%


Última atualização: 09/05/2009

Fonte: Noticias do Vale
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