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sábado, 23 de maio de 2009

Festa em memória de Antônio Holanda

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Se a vida passa rápido, mais efêmero ainda são os mandatos políticos. É a saúde quem determina quanto se vai viver, mas são as obras profundas que dizem quanto será lembrado. Hoje, um dos políticos mais influentes no Interior do Estado — que viveu no século passado — é lembrado em seu centenário de nascimento. Décadas após deixar marcas na história de Limoeiro do Norte, Antônio Holanda é homenageado por três gerações da sociedade local. Autoridades políticas, jurídicas e empresariais do Estado e do Brasil conferem homenagem ao homem que, se vivo, completaria 100 anos.

Chegar em Limoeiro do Norte e perguntar sobre Antônio Holanda, terá duas respostas instantâneas: é o nome verdadeiro do bairro “cidade alta”, o mais populoso da cidade — criado para abrigar as vítimas das enchentes de 1974; também como é intitulado o maior posto de saúde da cidade. Até em Fortaleza tem a “rua Antônio Holanda”. O agricultor, o industrial e o político; e um nome que constrói parte da história do Vale do Jaguaribe.

Tendo exercido funções de Estado, foi por 10 anos delegado civil na sede de Limoeiro e em seus distritos, hoje Tabuleiro do Norte, São João do Jaguaribe e Alto Santo, tendo também se destacado na vida pública quando prefeito de Limoeiro do Norte no período de 1973 a 1977. Um de seus filhos, Wilson Holanda, relembra feitos do pai nas áreas de saúde e a visão industrialista de quem, nos anos 50, fundou a primeira fábrica de derivados de algodão na região.

Décadas após seu falecimento, ainda hoje são lembrados os feitos do “Velho da Serra”. Durante o dia de hoje, em Limoeiro, autoridades prestarão homenagem a Antônio Holanda. “Está é uma forma de sensibilizar a nova geração para dar prosseguimento à memória daquele que contribuiu para o desenvolvimento da ‘Princesa do Vale’” , afirma o jornalista Meton Maia e Silva.

Texto: Diário do Nordeste
Foto: REPRODUÇÃO
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domingo, 10 de maio de 2009

Mães comemoram seu dia nos abrigos

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Limoeiro do Norte. Longe de casa, mas perto dos filhos. Não importa se na casa própria ou em alojamentos, o melhor abrigo das crianças desabrigadas é mesmo o colo da mãe. Neste Dia das Mães, milhares dessas mulheres estão desabrigadas em todo o Nordeste, mães que, nos alagamentos, estavam mais preocupadas em salvar a vida dos filhos, porque “depois eu cuido de mim”, a desabrigada Luzia Nunes, de Itaiçaba, é mãe e sabe o que diz.

As enchentes já fazem parte do histórico de muitas mães do Interior. Maria das Graças tinha sete anos quando precisou sair com a mãe, Francisca Maria, da Ilha de Santa Terezinha para uma escola-abrigo, no Centro de Limoeiro. Foi na cheia do rio Jaguaribe, em 1985. Hoje, dona Francisca volta a ser desabrigada com a filha, que aos 31 anos é mãe de cinco crianças. Agora quem tem sete anos é Juliana, Edevandro tem oito, Leila tem dez; Jeissi, 13 anos e a mais velha, Jéssica, tem 14 anos, mas já é casada, ou melhor, “junta” com um rapaz, com quem divide a sala-abrigo vizinha à da mãe.

Ao todo são dez pessoas, entre filhas, maridos e netos, que vivem às custas da aposentadoria de Francisca Maria. “A gente que é mãe não pode negar, né?”, justifica a viúva. Mas por enquanto todos estão abrigados na Escola Municipal Judite Chaves e sobrevivendo com o que é repassado pela Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social e Cidadania e pela Defesa Civil do Estado. São as crianças que dão um ar alegre aos corredores e salas das escolas e creches-abrigo. Correm para um lado e para o outro, jogam bola, dançam.

Glauberlândia Leite de Sousa, de 23 anos, brinca numa rede com a filha, tão nova que mal nasceram os dentes; a irmã Roberlândia, que também é mãe, divide essa mesma sala com o marido e a filha.

A matriarca da prole é Maria de Fátima Leite da Silva. As três mulheres sustentam as famílias fazendo faxina. Os maridos são desempregados. “A faxina que aparecer, eu tô pegando”, diz Glauberlândia, para explicar que não pode ficar sem trabalhar mesmo na condição de desabrigada – e principalmente por isso.

Por péssima ironia do destino, as águas levam para se abrigar nas escolas pessoas que, em sua maioria, por uns e outros motivos abandonaram os estudos escolares para casar, ter filhos, trabalhar, viver, repetindo a história da geração anterior, feito o rio que, também uma geração atrás, encheu ao ponto de mandar todos para longe. “Não sei o que explicar, nem o que vou sentir nesse dia, pois o que eu queria era estar na minha casa, mas ficou totalmente alagada”, afirma Maria do Socorro, mãe de gêmeos de quatro meses, em um abrigo de Jaguaruana, a cidade com o maior número de famílias desabrigadas. A força desta Maria está na esperança de criar os filhos, fazê-los crescer.

Mães que são mães e pais, tiram os móveis de casa, pedem ajuda para transportar, atravessam em canoas, montam o seu “cantinho” no abrigo, levando a meninada no colo, cozinhando para uma récua de gente, botando menino para dormir, enquanto aguardam as ‘águas baixarem’ para retornarem ao próprio lar, que em muitos casos não tem paredes tão concretas e consistentes quanto das escolas que servem de abrigo, mas é o ninho onde vive e, principalmente, cuidar dos filhos. Neste dia das mães, e enchente, a perseverança está no semblante de Neide Almeida, de Jaguaruana. No dia em que o açude Rosa de Luxemburgo arrombou e elevou as águas no bairro Lagoa Vermelha, a 20km da sede do município, sua bolsa rompeu-se e ali, no meio da enchente, Neide entrou em trabalho de parto. Ela, transportada em um barco da Defesa Civil, teve seu filho no hospital municipal, onde está neste Dia das Mães.

FORÇA

"As mães desabrigadas são a principal força nesse momento de flagelo e também de confraternização"

Pedro Luciano
Sec. de Ação Social de Limoeiro

Texto: Diário do Nordeste
Foto: Melquíades Júnior
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