Déficit de professores prejudica atividades das instituições de ensino. Muitos se queixam dos baixos salários
A um passo da graduação, estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece) não conseguem concluir a faculdade pela falta de professor de Língua Brasileira de Sinais (Libras), disciplina obrigatória nos cursos de licenciatura desde 2006. Vários alunos já concluíram até a monografia de fim de curso, mas a falta de professor impede a diplomação, o registro profissional e compromete o ingresso no mercado de trabalho dos quase formados. A situação é mais crítica na Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), em Limoeiro, a primeira a apresentar a demanda. A Pró-Reitoria de Graduação da Uece, em Fortaleza, reconhece que falta efetivo de 209 professores, para diversos cursos de graduação em todo o Ceará.
Apesar de obrigatório, disciplina de Libras deixa de ser ofertada pela falta de profissionais capacitados (Foto: Melquíades Júnior )
E quando não é a carência de docentes na área, é a falta de suporte que obriga os profissionais de Fortaleza a se negarem a ensinar no Interior. Com um baixo salário e tendo que arcar com as despesas de transporte, alimentação e hospedagem, professores sentem-se desestimulados a migrar para o Interior para lecionar apenas uma disciplina. Esse seria um dos motivos pelos quais a Fafidam ainda reclama um professor de Libras. “Faz muito tempo que estamos pedindo uma solução à Uece, até já acionamos o Ministério Público. Estou no 11º semestre, fiz a monografia, já atuo como professora e não tenho minha carteira assinada porque não tenho diploma”, afirma a concludente de Letras Ilnar Maia.
A grade curricular de 2006 da Uece atende determinação do Ministério da Educação, que por meio do decreto nº 5626, de 22 de dezembro de 2005, inseriu a Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas de todo o País. O problema é que o Ceará carece de profissionais para ensinar Libras nas universidades – somente em 2006 o Brasil teve o primeiro curso de licenciatura em Letras, criado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da qual é parceira a Universidade Federal do Ceará (UFC), que ministra o curso na modalidade à distância.
A estudante de Letras Eridene Bezerra, de 24 anos, cursou tudo, menos a disciplina de Libras. “Fizeram-nos mudar da grade curricular antiga para a nova, de 2006, que já incluía Libras, mas não estamos conseguindo terminar. Foi oferecida a disciplina, mas não havia professor e estamos emperrados na burocracia”, reclama. A coordenação do curso de Letras acionou a Pró-Reitoria de Graduação da Uece, em Fortaleza. De acordo com o coordenador Lailton Duarte, a direção e a coordenação do curso em Limoeiro já fizeram o pedido. “Agora depende de lá”, referindo-se à reitoria em Fortaleza.
Deficiências
A falta de professores para a disciplina de Libras é somente um dos vários capítulos enfrentados pelos estudantes da Uece, que nos últimos anos passaram por quatro greves e ainda sofrem o dilema de poucas disciplinas ofertadas por semestre, devido à falta de docentes. De acordo com o coordenador do curso de Letras da Fafidam, Lailton Duarte, 27 disciplinas deixaram de ser ofertadas no último semestre porque faltam professores. Outra situação foi a mudança de grade, que separou Letras com habilitação em Inglês ou Português. A estudante Wanna Carla, que enviou a sugestão de pauta para o Alô Redação, do Diário do Nordeste, perdeu todas as cadeiras de inglês cursadas ao ter que optar, no meio do caminho, entre uma das habilitações.
A pró-reitora Lineuda da Costa reconheceu o problema. “Estamos aguardando a reedição do edital de seleção para professores substitutos (publicado inicialmente em maio), pois não teve candidatos interessados para Limoeiro do Norte (Fafidam), Crateús (FAEC) e Tauá (Cecitec). Mas já tem dois aprovados , um para Iguatu e o selecionado para Quixadá, que não será lotado no momento, estamos tentando transferir para Limoeiro do Norte no próximo semestre letivo”.
Mais informações:
Uece - Fortaleza
(85) 3101.9600
Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos de Limoeiro
(88) 3423.6963
Melquíades Júnior
Colaborador
Texto: Diário do Nordeste
|
2 comentários
A um passo da graduação, estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece) não conseguem concluir a faculdade pela falta de professor de Língua Brasileira de Sinais (Libras), disciplina obrigatória nos cursos de licenciatura desde 2006. Vários alunos já concluíram até a monografia de fim de curso, mas a falta de professor impede a diplomação, o registro profissional e compromete o ingresso no mercado de trabalho dos quase formados. A situação é mais crítica na Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), em Limoeiro, a primeira a apresentar a demanda. A Pró-Reitoria de Graduação da Uece, em Fortaleza, reconhece que falta efetivo de 209 professores, para diversos cursos de graduação em todo o Ceará.
Apesar de obrigatório, disciplina de Libras deixa de ser ofertada pela falta de profissionais capacitados (Foto: Melquíades Júnior )E quando não é a carência de docentes na área, é a falta de suporte que obriga os profissionais de Fortaleza a se negarem a ensinar no Interior. Com um baixo salário e tendo que arcar com as despesas de transporte, alimentação e hospedagem, professores sentem-se desestimulados a migrar para o Interior para lecionar apenas uma disciplina. Esse seria um dos motivos pelos quais a Fafidam ainda reclama um professor de Libras. “Faz muito tempo que estamos pedindo uma solução à Uece, até já acionamos o Ministério Público. Estou no 11º semestre, fiz a monografia, já atuo como professora e não tenho minha carteira assinada porque não tenho diploma”, afirma a concludente de Letras Ilnar Maia.
A grade curricular de 2006 da Uece atende determinação do Ministério da Educação, que por meio do decreto nº 5626, de 22 de dezembro de 2005, inseriu a Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas de todo o País. O problema é que o Ceará carece de profissionais para ensinar Libras nas universidades – somente em 2006 o Brasil teve o primeiro curso de licenciatura em Letras, criado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da qual é parceira a Universidade Federal do Ceará (UFC), que ministra o curso na modalidade à distância.
A estudante de Letras Eridene Bezerra, de 24 anos, cursou tudo, menos a disciplina de Libras. “Fizeram-nos mudar da grade curricular antiga para a nova, de 2006, que já incluía Libras, mas não estamos conseguindo terminar. Foi oferecida a disciplina, mas não havia professor e estamos emperrados na burocracia”, reclama. A coordenação do curso de Letras acionou a Pró-Reitoria de Graduação da Uece, em Fortaleza. De acordo com o coordenador Lailton Duarte, a direção e a coordenação do curso em Limoeiro já fizeram o pedido. “Agora depende de lá”, referindo-se à reitoria em Fortaleza.
Deficiências
A falta de professores para a disciplina de Libras é somente um dos vários capítulos enfrentados pelos estudantes da Uece, que nos últimos anos passaram por quatro greves e ainda sofrem o dilema de poucas disciplinas ofertadas por semestre, devido à falta de docentes. De acordo com o coordenador do curso de Letras da Fafidam, Lailton Duarte, 27 disciplinas deixaram de ser ofertadas no último semestre porque faltam professores. Outra situação foi a mudança de grade, que separou Letras com habilitação em Inglês ou Português. A estudante Wanna Carla, que enviou a sugestão de pauta para o Alô Redação, do Diário do Nordeste, perdeu todas as cadeiras de inglês cursadas ao ter que optar, no meio do caminho, entre uma das habilitações.
A pró-reitora Lineuda da Costa reconheceu o problema. “Estamos aguardando a reedição do edital de seleção para professores substitutos (publicado inicialmente em maio), pois não teve candidatos interessados para Limoeiro do Norte (Fafidam), Crateús (FAEC) e Tauá (Cecitec). Mas já tem dois aprovados , um para Iguatu e o selecionado para Quixadá, que não será lotado no momento, estamos tentando transferir para Limoeiro do Norte no próximo semestre letivo”.
Mais informações:
Uece - Fortaleza
(85) 3101.9600
Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos de Limoeiro
(88) 3423.6963
Melquíades Júnior
Colaborador
Texto: Diário do Nordeste




